Doação de órgãos
Dia Nacional da Doação de Órgãos, Brasil CHRISTOPHE ARCHAMBAULT/AFP via Getty Images

Uma data para falar sobre doação

O Brasil celebra neste domingo, 27 de setembro, o Dia Nacional da Doação de Órgãos e Tecidos, data que integra o calendário de efemérides do mês divulgado pela Agência Brasil. A ocasião marca o ponto alto da campanha Setembro Verde, voltada à conscientização sobre a importância de doar órgãos e tecidos e de discutir o tema em família.

Idosos também podem ser doadores em vida

Neste ano, um dos focos da campanha é derrubar a ideia de que a idade avançada impede a doação em vida. Segundo o Ministério da Saúde, citado pela Prensa Latina, a idade isoladamente não representa uma limitação: o que determina a possibilidade de doar são o estado geral de saúde e as condições do órgão, avaliados por equipes especializadas. Um doador vivo pode ceder um dos rins, parte do fígado, da medula ou dos pulmões, desde que exista compatibilidade sanguínea e o procedimento não represente risco inaceitável à sua saúde.

O nefrologista Geraldo Freitas, da Unidade de Transplantes do Hospital Universitário de Brasília, explicou à agência cubana que a avaliação de pessoas mais velhas tende a ser mais rigorosa, já que problemas como hipertensão, diabetes e alterações na função renal são mais frequentes com o avançar da idade. Por isso, cada caso é analisado individualmente, com exames de sangue e urina, estudo da função renal, exames de imagem e avaliação cardiovascular. Freitas destacou o caso de Arivaldo Sampaio, que em 2023, aos 69 anos, doou um rim ao filho após este perder a função do único órgão que possuía.

Números recordes, mas fila ainda extensa

Os dados oficiais mostram avanços, mas também o tamanho do desafio. Em 2025, o Brasil registrou 4.335 doadores efetivos, equivalente a 20,3 por milhão de habitantes — a maior marca já registrada no país, segundo a Prensa Latina. Ainda assim, cerca de 49.500 pessoas permanecem na lista de espera por um transplante.

Como funciona a autorização

A legislação brasileira permite a doação em vida entre parentes de até quarto grau e cônjuges, sem exigência de autorização judicial nesses casos. Fora desse círculo familiar, a doação em vida depende de autorização da Justiça. Já no caso da doação após a morte, a liberação dos órgãos depende do consentimento da família, o que reforça a orientação do Ministério da Saúde e das campanhas do Setembro Verde: comunicar aos parentes, ainda em vida, a vontade de ser doador.

Um debate que segue aberto

Entre o recorde de doadores e a fila de quase 50 mil pacientes, o Dia Nacional da Doação de Órgãos reforça um convite recorrente das autoridades de saúde brasileiras: que a conversa sobre doação saia do campo abstrato e chegue à mesa em família, passo apontado como decisivo para reduzir a distância entre quem precisa de um transplante e quem poderia doar.