Jean-pierre Bou Charge Daffaires European Union Editorial Stock Photo -
Jean-pierre Bou Charge Daffaires European Union Stock Image | Shutterstock Editorial

São Paulo, A União Europeia considera improvável voltar a comprar carne bovina brasileira em menos de dois anos. A avaliação é de Jean-Pierre Bou, chefe-adjunto da delegação do bloco no Brasil, em entrevista ao g1. "Em princípio, parece difícil", disse ele na quinta-feira (1º).

Prazo ligado ao ciclo do rebanho

Segundo Bou, a explicação para o prazo é técnica. A exigência europeia envolve acompanhar os animais durante praticamente todo o ciclo de produção, que dura cerca de dois anos. O diplomata afirmou que a carne bovina depende do ciclo de vida dos animais, de aproximadamente dois anos.

A avaliação coincide com a de outro representante europeu. Na segunda-feira (28), o diretor de auditorias da Comissão Europeia, Éric Thévenard, disse ao Parlamento Europeu que, em teoria, nada deve chegar antes desse prazo.

Suspensão em vigor

As importações de itens de origem animal do Brasil foram interrompidas em 3 de setembro. Em junho, a Comissão Europeia retirou o país da lista de exportadores autorizados, por considerar insuficientes os controles sobre o uso de antimicrobianos e outros medicamentos em animais.

Exportadores brasileiros pedem ao governo que negocie um período de transição para retomar as vendas antes do prazo, mas o bloco ainda não sinaliza disposição para ceder. Para Bou, o quadro não deve ser lido como ruptura na relação comercial.

Frango e mel devem ter decisão antes

O cenário é diferente para outros produtos. Uma auditoria da Comissão Europeia avaliou positivamente os sistemas brasileiros de produção de carne de aves e mel, e a expectativa, segundo Bou, é de uma decisão sobre a retomada nas próximas semanas.

Sustentabilidade e imagem do país

Bou participou de um painel sobre segurança alimentar no Global Agribusiness Festival, em São Paulo. Ele ressaltou que já há avanços comerciais derivados do acordo entre o Mercosul e a UE, fechado em 2026 após 25 anos de negociações, como o aumento das exportações brasileiras de café.

O representante também afirmou que o Brasil precisa manter os esforços contra o desmatamento para melhorar sua imagem na Europa e ampliar as oportunidades no mercado do bloco. Ele pediu que os compromissos com a sustentabilidade sejam preservados.

Impacto para o setor

O Brasil é um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, e a suspensão afeta um mercado de alto valor. Para o setor, a combinação entre a exigência de rastreabilidade e o prazo do ciclo produtivo torna a retomada lenta, mesmo com eventuais mudanças imediatas nos protocolos sanitários.

O governo brasileiro e as entidades do setor devem continuar as conversas com Bruxelas por um período de transição, enquanto o país trabalha para comprovar o cumprimento das regras europeias.