Com Senado mais conservador, ministros do STF avaliam risco de impeachment em 2027 e planejam aproximação com parlamentares moderados do PL
Projeções citadas pela imprensa apontam ao menos 49 senadores favoráveis ao afastamento, enquanto ministros avaliam estratégia de diálogo com parlamentares moderados.

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) passaram a ver risco concreto de abertura de processos de impeachment contra integrantes da corte já no primeiro semestre de 2027. A avaliação ocorre após a eleição de uma bancada conservadora no Congresso, em especial no Senado. A informação foi divulgada pela Folha de S.Paulo e repercutida por outros veículos.
Contagem no Senado
Segundo os cálculos mencionados, a próxima composição do Senado terá ao menos 49 parlamentares que defendem o afastamento de magistrados. A aprovação de um impeachment de ministro exige 54 votos, dois terços dos 81 senadores. O grupo pró-impeachment estaria, portanto, a cinco votos do mínimo necessário. Levantamento do portal Metrópoles indica que o PL, partido de Flávio Bolsonaro, elegeu 19 senadores, o maior número entre as legendas. Há ainda novos senadores da Federação União-Progressista, do Novo, do MDB e do Republicanos. Um dos veículos que repercutiu o caso chegou a citar ao menos 51 parlamentares, número que difere do restante da cobertura.
Estratégia de diálogo
Dois ministros avaliam que será preciso buscar interlocução com parlamentares considerados mais moderados do PL, que não necessariamente adotem o radicalismo atribuído ao partido. A ideia é reduzir a pressão pela destituição de integrantes da corte.
O Senado é o órgão responsável, pela Constituição, por processar e julgar ministros do Supremo em crimes de responsabilidade. O presidente da Casa decide se dá ou não andamento aos pedidos.
Desafio para Fachin
Auxiliares de outros dois ministros ouvidos pela Folha afirmam que o cenário será um desafio institucional para o presidente do STF, Edson Fachin. Desde o início do ano, ele lida com desgastes ligados à crise do Banco Master, que, segundo a avaliação reportada, colocou em dúvida a integridade de membros do tribunal.
Pressão por mudanças
Os ministros também esperam que a bancada crítica ao Supremo avance com pautas que restrinjam os poderes da corte, como projetos para limitar decisões individuais e propostas que facilitem a tramitação de pedidos de impeachment. Esse movimento é visto como risco de alteração do papel contramajoritário do tribunal, ou seja, a proteção de direitos mesmo diante de posições majoritárias no Congresso.
Indicações ao tribunal
A preocupação se estende às futuras indicações. Considerando a vaga aberta e as aposentadorias previstas, o próximo presidente da República poderá indicar ao menos quatro ministros. Integrantes de uma ala que inclui Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin avaliam que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia mudar de forma significativa o perfil da corte.
Tensão independe do vencedor
Segundo a leitura reportada, o STF continuará como um dos principais focos de tensão da política nacional, seja quem for o vencedor do segundo turno entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em 25 de outubro. A avaliação é que o tribunal terá dificuldade de sair dos holofotes.
Procurado pela imprensa, o Supremo não havia se manifestado oficialmente sobre o tema até a publicação das reportagens consultadas.

