PF busca apoio dos Estados Unidos para esclarecer movimentação de milhões destinados a filme sobre Bolsonaro
Investigação busca identificar os destinatários finais e verificar se os recursos foram usados integralmente na produção de Dark Horse

A Polícia Federal (PF) solicitou formalmente a cooperação das autoridades dos Estados Unidos para rastrear o destino de recursos enviados ao fundo Havengate, relacionado ao financiamento do filme Dark Horse, uma cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O pedido foi encaminhado nesta sexta-feira (9) e busca esclarecer o caminho percorrido por aproximadamente US$ 10,6 milhões, equivalentes a cerca de R$ 61 milhões na época das transferências, associados ao financiamento da produção cinematográfica.
A investigação procura identificar os destinatários finais dos recursos, verificar como os valores foram utilizados e esclarecer se houve movimentações financeiras além das despesas relacionadas à realização do longa-metragem. O fundo Havengate Development Fund LP está registrado no estado do Texas, nos Estados Unidos, e recebeu transferências provenientes de empresas ligadas ao empresário Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como "Mineiro", segundo informações divulgadas pela imprensa.
O pedido de cooperação internacional deverá tramitar por meio dos mecanismos de assistência jurídica entre os dois países. A medida permitirá que os investigadores solicitem documentos bancários, informações sobre transações e outros registros necessários para reconstruir o percurso do dinheiro.
Transferências internacionais estão sob investigação
O caso ganhou repercussão após a divulgação de mensagens e áudios que mostram negociações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo controlador do Banco Master, para financiar o filme sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro.
Segundo informações reunidas pela investigação, as conversas envolveram um aporte total de US$ 24 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 134 milhões na cotação da época. Flávio confirmou que negociou o financiamento com Vorcaro e reconheceu o recebimento de recursos para a produção, mas nega irregularidades e afirma que não ofereceu contrapartidas políticas em troca do dinheiro.
Documentos financeiros citados em reportagens indicam que transferências de aproximadamente US$ 10,6 milhões foram destinadas ao fundo Havengate até maio de 2025. Outros registros apontaram movimentações posteriores, que elevaram o montante identificado em determinadas apurações para cerca de US$ 12,3 milhões.
A diferença entre os valores está relacionada aos períodos e às operações considerados nos levantamentos divulgados. A identificação do total efetivamente transferido e de sua destinação final permanece entre os pontos que os investigadores pretendem esclarecer.
Fundo nos Estados Unidos é peça central
O Havengate ocupa posição importante na apuração por ter recebido parte dos recursos enviados ao exterior. O fundo é administrado por meio de uma estrutura registrada nos Estados Unidos, e seu responsável legal, o advogado Paulo Calixto, possui ligação profissional com Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal que reside no exterior.
A Polícia Federal investiga a possibilidade de que parte do dinheiro tenha sido utilizada para cobrir despesas de Eduardo nos Estados Unidos. Essa hipótese ainda precisa ser comprovada, e a apuração busca determinar se os recursos foram integralmente aplicados na produção cinematográfica ou se tiveram outros destinos.
A análise de contratos, comprovantes de transferências e comunicações entre os envolvidos poderá ajudar a esclarecer a relação entre os valores enviados, os pagamentos realizados e os custos efetivos do filme.
Investigação busca esclarecer responsabilidades
O inquérito relacionado ao financiamento de Dark Horse foi autorizado no Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro André Mendonça. A apuração procura esclarecer a origem, a circulação e a destinação dos recursos, além de verificar se houve eventuais irregularidades financeiras.
A solicitação de cooperação aos Estados Unidos representa uma nova etapa da investigação, já que parte das operações ocorreu em território estrangeiro e depende do acesso a informações mantidas por instituições e autoridades americanas.
Até o momento, não há conclusão definitiva de que os recursos tenham sido desviados ou utilizados para finalidades diferentes das declaradas. Os resultados da cooperação internacional deverão contribuir para esclarecer os fatos e determinar se existem elementos que justifiquem novas medidas judiciais.

