Ministros do STF avaliam risco de impeachment e acompanham articulação
Ministros do STF avaliam risco de impeachment e acompanham articulação no Senado IBTimes Brasil

Levantamentos indicam ao menos 49 senadores favoráveis ao afastamento de ministros, mas a aprovação exige 54 votos; composição da Mesa do Senado em fevereiro será relevante para a tramitação.

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) veem risco de avanço de pedidos de impeachment contra integrantes da Corte no primeiro semestre de 2027, diante da nova composição do Senado eleita em 4 de outubro. Segundo a Folha de S.Paulo, integrantes do tribunal acompanham levantamentos que apontam ao menos 49 senadores favoráveis ao afastamento de ministros, cinco a menos que os 54 votos necessários para aprovar uma medida desse tipo. A avaliação é um cenário de risco relatado pelo jornal, não a confirmação de que um processo será aberto ou aprovado.

O Senado tem 81 cadeiras, e a aprovação do impeachment de um ministro exige dois terços dos votos, ou seja, 54 senadores. O PL elegeu 19 senadores em 2026 e chegará a 28 integrantes quando os novos mandatos começarem. A bancada do partido será a maior da Casa, mas a quantidade de cadeiras da legenda, por si só, não alcança o quórum necessário para afastar um magistrado.

Os números divulgados por veículos diferentes não são idênticos porque os levantamentos adotam critérios distintos. A Folha contabilizou ao menos 49 senadores favoráveis ao impeachment, incluindo parlamentares que apoiam a iniciativa com ressalvas. O Poder360 identificou 49 senadores alinhados a partidos de direita, categoria política mais ampla que não significa necessariamente apoio individual a um processo de afastamento. Já um levantamento publicado pelo JOTA identificou 31 dos 54 senadores eleitos que tenderiam a apoiar o impeachment, somados a outros 17 que já ocupam cadeiras, chegando a pelo menos 48. Esses números não devem ser tratados como medições equivalentes.

A eleição para a presidência do Senado, prevista para fevereiro de 2027, aparece como um ponto importante para o encaminhamento de pedidos. A presidência da Casa tem papel na condução do processo legislativo e na análise inicial de requerimentos dessa natureza. A eventual mudança de regras internas para facilitar a abertura de processos também entrou no debate político, conforme reportagens publicadas depois do pleito.

Segundo a Folha, ministros do Supremo discutem a possibilidade de dialogar com parlamentares do que o jornal descreve como uma ala mais moderada do PL, numa tentativa de reduzir a tensão institucional. A iniciativa é apresentada como uma avaliação atribuída a integrantes da Corte, não como um acordo formal com o partido.

O tema ocorre em meio a divergências entre setores do Congresso e ministros do STF sobre decisões judiciais, competências institucionais e os limites de atuação da Corte. A eleição alterou a distribuição de forças no Senado, mas não determina automaticamente o resultado de eventuais pedidos. A posição individual dos senadores, a tramitação e o quórum exigido serão decisivos.