aula de clase
José Cruz/Agência Brasil

O uso da inteligência artificial (IA) está transformando a rotina de professores brasileiros, com novas possibilidades para tornar as aulas mais interativas, personalizar atividades e estimular a participação dos estudantes. Neste 15 de outubro, Dia dos Professores, experiências em escolas públicas e privadas mostram como a tecnologia pode contribuir para o processo de aprendizagem, desde que seja utilizada com planejamento, responsabilidade e orientação pedagógica.

Um exemplo vem de Campinas, no interior de São Paulo. A professora Giovanna Macedo utilizou o ChatGPT para criar imagens que representavam seus 31 alunos do quarto ano do ensino fundamental, com idades entre 9 e 10 anos, exercendo as profissões que desejam seguir na vida adulta. A atividade, desenvolvida a partir de fotografias das crianças, gerou reações emocionadas e ganhou repercussão nas redes sociais.

Entre os sonhos apresentados estavam carreiras como jogador de futebol, astronauta, veterinária, bailarina e cantora. Segundo a professora, a iniciativa buscou incentivar a imaginação, fortalecer a autoestima e mostrar aos estudantes que suas aspirações merecem ser valorizadas.

A experiência ilustra como ferramentas digitais podem aproximar os conteúdos escolares dos interesses das crianças. Para Giovanna, o objetivo não é apenas incorporar uma tecnologia nova, mas criar situações que despertem a curiosidade e ampliem os horizontes dos alunos.

Tecnologia auxilia no planejamento das aulas

A inteligência artificial também vem sendo utilizada para preparar materiais didáticos, elaborar exercícios, criar jogos educativos e adaptar avaliações a diferentes necessidades de aprendizagem. Essas aplicações podem ajudar os docentes a economizar tempo em tarefas repetitivas e dedicar mais atenção ao acompanhamento individual dos estudantes.

No Distrito Federal, o professor Jaime Guilherme de Oliveira, que ensina computação gráfica a alunos do ensino médio em Taguatinga, utiliza ferramentas de IA para produzir conteúdos explicativos, planejar atividades e desenvolver avaliações adaptadas. Ele também criou o jogo interativo Arena ABNT, que ensina normas técnicas para a elaboração de trabalhos acadêmicos de maneira lúdica.

A proposta é utilizar a tecnologia para tornar conceitos complexos mais acessíveis e favorecer a participação dos estudantes. Entretanto, o professor destaca que o uso da ferramenta precisa ter uma finalidade clara. Gerar conteúdo automaticamente não garante, por si só, que o aluno tenha compreendido o assunto.

Formação docente é um dos principais desafios

A rápida evolução dos sistemas de inteligência artificial exige formação continuada e atualização profissional. O professor Marcio Luiz Dias, que atua há 13 anos na formação de educadores da rede pública do Distrito Federal, defende que os docentes aprendam não apenas a operar as ferramentas, mas também a utilizá-las de forma crítica e alinhada aos objetivos pedagógicos.

Entre as preocupações estão a disseminação de informações falsas, a reprodução automática de respostas sem reflexão e os riscos relacionados à privacidade dos estudantes. Por isso, especialistas recomendam que os alunos sejam incentivados a pesquisar, questionar, argumentar e verificar as informações produzidas pelos sistemas.

A inteligência artificial pode contribuir para adaptar exercícios e diversificar estratégias de ensino, mas a escolha das atividades deve considerar as dificuldades, os avanços e as características de cada turma.

O papel humano continua essencial

A transformação digital também evidencia desigualdades no acesso à tecnologia. Embora muitas escolas já utilizem recursos digitais, parte dos estudantes ainda enfrenta limitações de conectividade e falta de equipamentos adequados. Garantir infraestrutura e capacitação é fundamental para que os benefícios da inovação alcancem diferentes realidades educacionais.

Neste Dia dos Professores, as experiências mostram que a inteligência artificial pode ampliar as possibilidades de ensino, mas não substitui a atuação dos educadores. A mediação pedagógica, a sensibilidade, a orientação ética e a construção de vínculos continuam sendo elementos centrais da aprendizagem.

O desafio para as escolas é integrar a tecnologia de maneira consciente, transformando ferramentas digitais em oportunidades concretas de desenvolvimento, criatividade e pensamento crítico.