Áreas inundadas pela alta do rio Paraná
Áreas inundadas pela alta do rio Paraná Divulgação - Andrés Zarate/Itaipu Binacional

A rápida elevação do nível do rio Paraná levou a Itaipu Binacional a emitir um alerta sobre possíveis impactos em estruturas e residências localizadas no lado brasileiro da usina hidrelétrica. O aumento foi registrado após chuvas intensas nas bacias dos rios Paraná e Iguaçu, que elevaram significativamente o volume de água que chega à região da fronteira entre Brasil e Paraguai.

Na segunda-feira (12), o nível do rio Paraná na região da Ponte Internacional da Amizade, entre Foz do Iguaçu, no Brasil, e Ciudad del Este, no Paraguai, chegou a 115,39 metros. No dia anterior, a medição havia registrado 110,50 metros, representando uma elevação de quase cinco metros em aproximadamente 24 horas.

Diante da mudança nas condições hidrológicas, a empresa informou que as Defesas Civis municipal e estadual já estavam cientes da possibilidade de impactos no território brasileiro. O alerta busca permitir que os órgãos responsáveis acompanhem a situação e adotem medidas preventivas caso o avanço das águas alcance áreas habitadas.

Segundo a Divisão de Estudos Hidrológicos da Superintendência de Operação, vinculada à Diretoria Técnica da Itaipu, os cálculos de vazão e de nível dos rios foram atualizados com base nas chuvas registradas nas últimas 24 horas. Os novos resultados apontaram aumento significativo das vazões dos dois cursos d'água, contribuindo diretamente para a elevação do Paraná.

A velocidade da subida exige acompanhamento contínuo, uma vez que os efeitos podem variar conforme a localização, a topografia e a proximidade das construções em relação às margens. A empresa mantém o monitoramento das condições dos rios para atualizar as previsões e orientar as medidas de prevenção.

Famílias recebem assistência no lado paraguaio

Os efeitos da cheia já atingiram áreas do território paraguaio próximas à usina. No bairro San Rafael, em Ciudad del Este, famílias que vivem em áreas baixas precisaram deixar suas residências diante do avanço da água.

A Itaipu informou que equipes de sua Assessoria de Responsabilidade Social atuam no atendimento às pessoas afetadas, com apoio das Forças Armadas, da Marinha Nacional, de voluntários e de moradores da comunidade. As ações incluem a retirada de famílias e o transporte de seus pertences para locais mais seguros.

No domingo (11), a empresa estimou que aproximadamente 60 famílias poderiam ter sido retiradas de suas casas durante a operação daquele dia. A previsão era intensificar os trabalhos nos dias seguintes, especialmente nas áreas mais vulneráveis do bairro.

A situação no Paraguai reforçou a preocupação com possíveis consequências semelhantes no lado brasileiro, caso o nível do rio continue elevado ou novas chuvas aumentem a vazão.

Monitoramento e prevenção

A Itaipu recomenda que os moradores acompanhem os comunicados oficiais e os boletins hidrológicos divulgados pela empresa. As informações permitem observar a evolução dos níveis dos rios e ajudam as autoridades a planejar eventuais evacuações.

A Defesa Civil permanece como referência para orientações sobre segurança, deslocamento de moradores e identificação de áreas de risco. A população que vive próxima às margens deve evitar locais inundados e seguir as determinações das autoridades.

A situação também evidencia a importância do monitoramento conjunto das bacias hidrográficas que alimentam o rio Paraná. Como as chuvas registradas em diferentes trechos podem repercutir rapidamente nos níveis de água, a atualização constante dos dados é essencial para antecipar riscos e reduzir os impactos sobre comunidades próximas à usina.