Teatros históricos de Manaus e Belém recebem certificado de Patrimônio
Teatros históricos de Manaus e Belém recebem certificado de Patrimônio Mundial da Unesco Agencia Brasil/Mariana Alves/Iphan

Reconhecimento internacional contempla dois importantes conjuntos culturais da Amazônia e coloca a Região Norte do Brasil pela primeira vez na lista de patrimônios culturais mundiais. A distinção também amplia as responsabilidades de preservação e gestão dos espaços históricos.

Os teatros Amazonas, em Manaus, e da Paz, em Belém, receberam oficialmente o certificado de Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em uma cerimônia realizada na noite de 3 de novembro, na capital amazonense. A entrega formaliza o reconhecimento internacional aprovado em julho de 2026 e representa um marco para a valorização do patrimônio cultural da Região Norte, que passa a ter seu primeiro conjunto inscrito na categoria de patrimônio cultural mundial.

A cerimônia ocorreu no próprio Teatro Amazonas e reuniu representantes dos governos federal e estaduais, autoridades municipais, integrantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e representantes da Unesco no Brasil. O certificado foi entregue ao governador do Amazonas, Roberto Cidade, pelo presidente do Iphan, Deyvsson Gusmão, e pela representante da Unesco no país, Marlova Noleto.

A inscrição internacional não contempla apenas os edifícios teatrais. O reconhecimento abrange dois conjuntos históricos: o Teatro Amazonas e o Largo de São Sebastião, em Manaus, além do Theatro da Paz e da Praça da República, em Belém. A decisão foi aprovada pelo Comitê do Patrimônio Mundial em 27 de julho, durante reunião realizada em Busan, na Coreia do Sul.

A inclusão representa também um avanço na presença brasileira na lista internacional. Com os Teatros da Amazônia, o país passou a contar com 26 sítios reconhecidos como Patrimônio Mundial. Os dois edifícios já eram protegidos pelo Iphan desde a década de 1960, mas a nova classificação amplia sua relevância para além do âmbito nacional.

Uma herança ligada à formação da Amazônia

Construídos no final do século XIX, os dois teatros estão associados às transformações econômicas, urbanas e culturais que marcaram a região amazônica naquele período. Suas características arquitetônicas e artísticas refletem a circulação internacional de referências culturais e a influência dos ciclos econômicos que impulsionaram o crescimento de Manaus e Belém.

A história dessas construções também ajuda a compreender como a Amazônia se relacionou com outras regiões do Brasil e do mundo. A riqueza produzida pelos ciclos econômicos, especialmente durante a expansão da economia da borracha, contribuiu para a transformação das capitais amazônicas e para a construção de espaços destinados à música, à ópera e às artes cênicas.

Durante a cerimônia, representantes institucionais ressaltaram que o reconhecimento não deve ser interpretado apenas como uma homenagem arquitetônica. O presidente do Iphan destacou a importância dos teatros para compreender a formação social da região, enquanto a representante da Unesco enfatizou que a inscrição inaugura uma responsabilidade permanente de proteção e valorização.

Preservação exige compromissos permanentes

A candidatura brasileira foi apresentada em janeiro de 2025, com participação do Iphan e de instituições federais e estaduais. A preparação do dossiê envolveu oficinas e consultas com mais de 300 participantes locais. O Brasil também recebeu recomendações do Comitê do Patrimônio Mundial relacionadas à gestão do conjunto, à participação da sociedade civil e ao aprofundamento das pesquisas históricas e antropológicas.

Entre os pontos destacados está a necessidade de ampliar o conhecimento sobre diferentes grupos que participaram da formação da sociedade amazônica, incluindo povos indígenas e migrantes nordestinos.

O reconhecimento internacional, portanto, não encerra o trabalho de proteção dos monumentos. Ao contrário, estabelece novas exigências de planejamento, conservação e participação social. A manutenção dos edifícios e de seus entornos históricos dependerá da articulação entre governos, instituições culturais e comunidades.

A conquista também oferece uma oportunidade para ampliar a visibilidade da produção artística amazônica e fortalecer o turismo cultural. No entanto, a continuidade desse patrimônio dependerá de políticas de preservação capazes de manter os espaços ativos e integrados à vida das cidades.