Manifestações espontâneas
Paulo Pinto/Agencia Brasil

Centenas de manifestantes participaram, na tarde desta segunda-feira (19), de um ato em frente à sede brasileira da Meta, na avenida Brigadeiro Faria Lima, na zona oeste de São Paulo. A mobilização reuniu organizações da sociedade civil, ativistas e movimentos sociais que cobram neutralidade, transparência e tratamento igualitário na distribuição de conteúdos políticos durante as eleições presidenciais de 2026.

Com o lema "Meta, não se meta na nossa eleição", os participantes criticaram a atuação da empresa, responsável por plataformas como Instagram, Facebook e WhatsApp. Entre as principais reivindicações estão a revisão de restrições aplicadas a perfis políticos, a criação de mecanismos de recurso acessíveis aos usuários e a divulgação de informações sobre o funcionamento dos sistemas de recomendação de conteúdo.

O protesto foi organizado por entidades como CTRL+Z, Artigo 19, Sleeping Giants Brasil, Código Não Binário, Diracom e Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação. Segundo os organizadores, o objetivo é impedir que decisões de empresas privadas de tecnologia prejudiquem a circulação de informações e influenciem o debate público durante o processo eleitoral.

As críticas ganharam força após denúncias de que conteúdos favoráveis ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), teriam sofrido restrições de alcance e dificuldades de impulsionamento. Também foram relatados problemas envolvendo recomendações de perfis e o funcionamento de ferramentas de inteligência artificial da empresa.

As organizações afirmam que esses episódios podem produzir diferenças na exposição dos candidatos aos eleitores. Entretanto, os relatos apresentados até o momento não comprovam, por si só, que todas as ocorrências tenham resultado de favorecimento deliberado ou de uma estratégia coordenada da plataforma.

Durante a manifestação, representantes das entidades tentaram entregar um documento com reivindicações à empresa, mas não conseguiram protocolá-lo diretamente na sede. Segundo os organizadores, o manifesto será encaminhado por meios digitais. Os participantes também defenderam maior controle social sobre os sistemas tecnológicos que influenciam a circulação de informações e a proteção de grupos minoritários contra discursos de ódio.

A controvérsia chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na segunda-feira, o ministro Marco Aurélio Bellizze concedeu à Meta prazo de 24 horas para comprovar a adoção de medidas que assegurem tratamento igualitário às candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro na distribuição de publicações políticas e na veiculação de anúncios eleitorais.

A decisão ocorreu após questionamentos apresentados pelas campanhas e por organizações sobre possíveis diferenças no funcionamento das plataformas. O tribunal busca garantir que os recursos digitais não sejam utilizados de maneira desigual durante a disputa.

A Meta, por sua vez, nega favorecer candidatos ou interferir deliberadamente nas eleições. A empresa atribuiu problemas relatados anteriormente a falhas técnicas, além de mencionar a complexidade das regras eleitorais e os procedimentos de verificação de conteúdos. A companhia também sustenta que aplica suas políticas de forma uniforme.

A discussão acontece em um momento decisivo da campanha presidencial, a poucos dias do segundo turno, previsto para 25 de outubro. Nesse cenário, as redes sociais ocupam posição central na divulgação de propostas, na mobilização de eleitores e na circulação de informações políticas.

Para as entidades participantes, o episódio demonstra a necessidade de mecanismos independentes de fiscalização e de maior transparência por parte das grandes empresas de tecnologia. O debate também levanta questões sobre liberdade de expressão, responsabilidade das plataformas e proteção da integridade eleitoral.

O desdobramento do caso dependerá das informações apresentadas pela empresa à Justiça Eleitoral e das medidas que poderão ser adotadas para assegurar condições equilibradas de participação na disputa presidencial.