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Brasil lança guia para eventos climáticos extremos com orientações sobre identificação de riscos AFP via Getty Images

O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) do Brasil publicou um guia destinado a orientar comunidades na prevenção e na resposta a eventos climáticos extremos. O documento, denominado Guia para Diálogos Autogestionados, reúne protocolos de educação ambiental que ajudam bairros, assentamentos, aldeias indígenas, quilombos, escolas e outros grupos a desenvolver estratégias de proteção diante de fenômenos meteorológicos de grande impacto.

Divulgada em 5 de novembro pela Agência Gov, a iniciativa busca fortalecer a capacidade de organização das comunidades antes, durante e depois de situações de emergência. O material utiliza uma linguagem acessível e recursos visuais para facilitar a compreensão das orientações e permitir que diferentes grupos construam seus próprios planos de acordo com as características de seus territórios.

Segundo Marcos Sorrentino, diretor do Departamento de Educação Ambiental e Cidadania do MMA, a publicação não estabelece um modelo único de atuação. A proposta é oferecer diretrizes que possam ser adaptadas às condições sociais, ambientais e culturais de cada localidade, considerando tanto os desafios enfrentados quanto os recursos disponíveis.

Identificação De Riscos E Organização Comunitária

Entre as principais recomendações está a realização de um diagnóstico territorial para identificar ameaças e estabelecer procedimentos de proteção coletiva. As comunidades são orientadas a reconhecer os riscos existentes em suas regiões e definir medidas imediatas para situações de emergência.

O planejamento também inclui o mapeamento de rotas de fuga, pontos de encontro e locais que possam funcionar como abrigos. Outro aspecto importante é identificar pessoas e grupos em condições de maior vulnerabilidade, para que suas necessidades sejam consideradas na organização das respostas.

Além disso, o guia recomenda elaborar uma relação dos serviços públicos e das instituições que devem ser acionados em situações de emergência. Dessa maneira, os moradores podem estabelecer previamente responsabilidades e mecanismos de comunicação, evitando que a atuação coletiva dependa apenas de decisões tomadas durante uma crise.

A publicação está estruturada em diferentes temas, incluindo conceitos e princípios da educação ambiental, diagnóstico do território, participação dos envolvidos e orientações práticas para a elaboração dos protocolos.

Guia Será Debatido Em Eventos Internacionais

As diretrizes tiveram suas primeiras apresentações em agosto de 2026, durante a 17ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17), realizada na Mongólia, e em um evento promovido pela Universidade Zumbi dos Palmares, em São Paulo.

Em novembro, o material também será discutido durante a COP31, da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, na Turquia, entre os dias 9 e 20. Outra apresentação está prevista para o X Fórum Brasileiro de Educação Ambiental, em Brasília, de 23 a 28 de novembro, ocasião em que ocorrerá o lançamento oficial da publicação.

O documento permanece aberto à participação da sociedade. Pessoas, instituições públicas e organizações civis poderão enviar sugestões de aprimoramento por meio dos códigos QR disponibilizados ao longo do material.

Com a iniciativa, o Ministério do Meio Ambiente busca incentivar o protagonismo comunitário na preparação para eventos climáticos extremos, fortalecendo a educação ambiental e a construção de estratégias locais de prevenção e resposta.