Os nódulos polimetálicos encontrados no fundo do mar na Zona Clarion-Clipperton, como o visto aqui, são ricos em manganês, cobre, cobalto e níquel
Os nódulos polimetálicos encontrados no fundo do mar na Zona Clarion-Clipperton, como o visto aqui, são ricos em manganês, cobre, cobalto e níquel Pallava Bagla/Getty Images

Uma expedição científica brasileira identificou novos indícios de atividade hidrotermal no fundo do Oceano Atlântico, em uma região com potencial para abrigar depósitos de cobre, zinco, ouro e prata. Os resultados preliminares foram divulgados em 22 de outubro de 2026 pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), após uma missão de pesquisa de 29 dias na Cordilheira Mesoatlântica.

A expedição Procordilheira VI investigou três áreas localizadas no Atlântico Equatorial, ao norte do arquipélago de São Pedro e São Paulo, próximo aos limites marítimos brasileiros e em águas internacionais. O objetivo foi ampliar o conhecimento geológico da região e identificar sinais de processos naturais associados à formação de concentrações minerais no fundo oceânico.

Durante os trabalhos, os pesquisadores detectaram anomalias de partículas em suspensão na água, um possível indicador da presença de fontes hidrotermais. Esses ambientes se formam quando a água do mar penetra em fraturas da crosta oceânica, é aquecida pelo calor interno da Terra e retorna ao oceano carregando minerais dissolvidos.

Quando os fluidos aquecidos entram em contato com a água fria do mar, os metais podem precipitar e formar depósitos conhecidos como sulfetos polimetálicos maciços. Essas estruturas podem conter cobre e zinco, além de quantidades variáveis de ouro, prata e outros elementos de interesse econômico.

Apesar dos resultados iniciais, o SGB ressalta que ainda são necessárias análises laboratoriais e investigações complementares para confirmar a atividade hidrotermal e determinar a existência de depósitos minerais relevantes. Até o momento, não há confirmação de jazidas economicamente viáveis na área pesquisada.

A missão ocorreu entre 9 de setembro e 8 de outubro, a bordo do navio de pesquisa hidroceanográfico Vital de Oliveira. A operação reuniu pesquisadores e instituições parceiras, incluindo a Marinha do Brasil, a Petrobras e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Além das amostras de água e sedimentos, a equipe realizou levantamentos geofísicos para melhorar a compreensão da estrutura geológica do fundo marinho. Também foram coletados materiais para estudos de biodiversidade utilizando DNA ambiental, técnica que permite identificar organismos por meio de vestígios genéticos presentes na água.

O possível potencial mineral desperta interesse porque metais como o cobre são essenciais para redes elétricas, equipamentos eletrônicos e tecnologias associadas à transição energética. O zinco é amplamente empregado na proteção do aço contra corrosão, enquanto ouro e prata possuem aplicações industriais e tecnológicas.

Entretanto, transformar os indícios científicos em uma atividade de mineração exigiria superar desafios consideráveis. A extração em grandes profundidades depende de equipamentos especializados, sistemas de transporte do minério até a superfície e investimentos elevados. Os impactos ambientais também representam uma preocupação, pois os ecossistemas das profundezas oceânicas ainda são pouco conhecidos.

Como a pesquisa abrange áreas em águas internacionais, eventuais projetos futuros deverão considerar as regras da Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, responsável pela administração dos recursos minerais nessas regiões.

A expedição integra o Programa de Prospecção e Exploração de Recursos Minerais da Área Internacional do Atlântico Sul e Equatorial (PROAREA), iniciativa brasileira voltada ao conhecimento dos recursos naturais oceânicos.

Com os novos dados, o país pretende aprofundar as pesquisas e ampliar sua capacidade de avaliar recursos minerais estratégicos. Por enquanto, a descoberta representa um avanço científico e uma nova etapa de investigação, não uma confirmação de reservas disponíveis para exploração comercial.