Abertura de canal na Praia do Foguete mobiliza autoridades ambientais no litoral do Rio
Inea e prefeituras avaliam se a passagem foi formada naturalmente após as chuvas ou se teve participação humana.

Uma abertura na faixa de areia que conecta uma lagoa ao mar modificou a paisagem da Praia do Foguete, entre Cabo Frio e Arraial do Cabo, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. O episódio, registrado em vídeos que circularam nas redes sociais em outubro de 2026, passou a ser investigado pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) e acompanhado pelas administrações municipais. Entre as hipóteses avaliadas estão a ocorrência de um fenômeno natural, favorecido pelas chuvas recentes, e uma possível intervenção humana.
A repercussão aumentou após relatos de que um banhista teria cavado a areia para fazer uma espécie de piscina, sem imaginar que a escavação poderia contribuir para abrir uma passagem entre a lagoa e o oceano. O homem afirmou que não tinha intenção de provocar uma alteração ambiental. A declaração, porém, não encerra a investigação sobre a origem do canal nem esclarece, por si só, se a atividade teve participação determinante no rompimento da barreira de areia.
O local chamou a atenção pela força da água que atravessava a praia em direção ao mar. As imagens mostram o contraste entre a água mais escura proveniente da lagoa e as ondas do oceano, além da formação de uma passagem que alterou temporariamente o aspecto da faixa litorânea.
A Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Clima e Saneamento de Cabo Frio informou que recebeu denúncias sobre uma possível abertura artificial da vala que liga a Lagoa Vermelha à Praia do Foguete. A preocupação está relacionada à redução do volume de água do ambiente lagunar e aos possíveis efeitos sobre o ecossistema local.
Já a Prefeitura de Arraial do Cabo considera a possibilidade de que o fenômeno tenha ocorrido naturalmente. Segundo informações divulgadas pelo município, a Lagoa de Barra Nova pode apresentar aberturas periódicas para escoar o excesso de água acumulado, especialmente depois de períodos de chuvas intensas.
O secretário de Meio Ambiente de Cabo Frio, Jailton Nogueira Dias, explicou que a abertura de uma barra entre uma lagoa e o mar pode acontecer espontaneamente ou ser realizada de forma controlada, desde que haja autorização e acompanhamento dos órgãos competentes. A intervenção sem avaliação técnica, entretanto, pode alterar a dinâmica da água e causar impactos ambientais.
O Inea acompanha a situação para esclarecer as circunstâncias da abertura e avaliar eventuais consequências. Até a divulgação das informações consultadas, não havia uma conclusão técnica definitiva que confirmasse se o canal foi provocado pela ação do banhista, por outras intervenções humanas ou por processos naturais.
Especialistas ressaltam que lagoas costeiras são ambientes sensíveis, cuja dinâmica depende das chuvas, da circulação da água, do transporte de sedimentos e da conexão com o oceano. A abertura de uma barra arenosa pode modificar o nível da lagoa, a salinidade e as condições de vida de organismos aquáticos.
Além da investigação ambiental, o caso reforça a importância de evitar escavações ou alterações na areia próximas a lagoas e canais naturais sem orientação das autoridades. Mesmo atividades recreativas aparentemente inofensivas podem produzir efeitos inesperados quando realizadas em áreas ambientalmente sensíveis.
A apuração deverá determinar a origem da abertura e se houve alguma infração ambiental. Até que os resultados sejam divulgados, não é possível atribuir responsabilidade definitiva ao banhista ou afirmar que a mudança na paisagem tenha sido causada exclusivamente pela ação humana.

