Morre César Oiticica, irmão de Hélio e integrante do Grupo Frente, aos 87 anos
Integrante do Grupo Frente, ele se afastou da cena artística por décadas e retomou as exposições em 2024, no Paço Imperial, no Rio.

O artista e arquiteto César Oiticica morreu nesta terça-feira (29), aos 87 anos, no Rio de Janeiro. Irmão de Hélio Oiticica (1937-1980), um dos nomes mais importantes da arte brasileira, ele integrou o Grupo Frente, marco do movimento construtivo no país nos anos 1950. A morte foi confirmada pelo Projeto Hélio Oiticica, pelo Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica e por seu filho, o artista e curador César Oiticica Filho, o Cesinha.
Formação e Grupo Frente
César começou a estudar pintura em 1954, aos 15 anos, ao lado de Hélio, no Curso Livre de Pintura de Ivan Serpa, no Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio. Entre 1954 e 1956, participou do Grupo Frente, formado em torno de Serpa e fundamental para projetar a abstração geométrica como um dos principais movimentos da arte brasileira a partir da segunda metade do século XX.
Arquitetura e legado
Após a dissolução do grupo, César se afastou por décadas do circuito artístico. Mudou-se para Manaus, onde atuou como arquiteto. Depois da morte de Hélio, em 1980, passou a se dedicar à preservação da obra do irmão e à frente do Projeto Hélio Oiticica, que reúne pesquisadores e colecionadores em vários países.
Nos últimos anos, voltou a ocupar o centro da cena. Em 2024, realizou sua primeira exposição individual em 50 anos, no Paço Imperial, no Centro do Rio, com curadoria de Paulo Venancio Filho.
Família de artistas
A trajetória de César está ligada a uma família de criadores. O pai, José Oiticica Filho, foi pioneiro da fotografia concreta no Brasil. Hélio, o irmão mais velho, ficou conhecido por obras como os Parangolés e o penetrável Tropicália, que inspirou o nome do movimento tropicalista na música. O filho, César Oiticica Filho, é artista, cineasta e curador, além de diretor do Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica.
Despedida
O velório será realizado nesta quinta-feira (1º), na Capela 6 do Crematório Memorial do Carmo, no Caju, na Zona Portuária do Rio, das 14h às 17h. A família não divulgou, até a publicação desta matéria, informações sobre a causa da morte.
Repercussão
Instituições ligadas à obra de Hélio Oiticica divulgaram a notícia nas redes sociais, destacando o papel de César como artista, arquiteto e guardião de um acervo central para a história da arte no país. Seu trabalho de curadoria e de preservação ajudou a manter viva a produção do irmão, hoje referência em exposições e pesquisas no Brasil e no exterior.
Com a morte de César, a arte brasileira perde um dos últimos integrantes ativos de uma geração que ajudou a renovar a linguagem visual do país na década de 1950. Seu percurso, que passou da pintura à arquitetura e depois à guarda de um legado, mostra como o trabalho de memória e de conservação pode ser parte da própria história da arte.

