Manaus volta a registrar o pior ar entre as capitais
Manaus volta a registrar o pior ar entre as capitais e suspende aulas presenciais IBTimes Brasil

Índice de qualidade do ar chegou a 167 na manhã de sexta-feira, nível classificado como insalubre; focos de calor no Amazonas seguem em alta e o Ibama informa ter extinguido 303 incêndios no estado.

Manaus voltou a registrar a pior qualidade do ar entre as capitais brasileiras na manhã desta sexta-feira (16), quando a plataforma IQAir apontou índice de 167 por volta das 6h, classificado como insalubre. A fumaça provocada por queimadas levou a rede municipal de ensino a suspender as aulas presenciais. A Universidade do Estado do Amazonas (UEA) também interrompeu atividades presenciais, diante da piora das condições atmosféricas em diferentes áreas da capital e do interior.

O índice 167 indica uma situação em que a exposição à poluição pode representar risco à saúde, sobretudo para crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças respiratórias ou cardiovasculares. O sistema de monitoramento ambiental da UEA também registrou condições de qualidade do ar entre muito ruins e péssimas em grande parte da cidade. A intensidade da poluição varia de um bairro para outro, por isso os indicadores gerais não representam necessariamente a concentração de partículas em todos os pontos de Manaus.

O problema está relacionado à fumaça de incêndios florestais e queimadas no Amazonas e em áreas próximas. A fumaça pode viajar por longas distâncias, de modo que a qualidade do ar da capital não depende apenas dos focos registrados dentro do município. O atraso das chuvas e as condições de seca favorecem a permanência de partículas na atmosfera e dificultam a dispersão dos poluentes.

Os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) citados pela imprensa apontam crescimento expressivo dos focos de calor no estado em comparação com 2025. Um balanço publicado pela Folha de S.Paulo registrou 7.815 focos entre janeiro e 12 de outubro, aumento de 116% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior. Informações locais divulgadas em 16 de outubro apontam 8.084 focos até o dia 15, o que seria compatível com a continuidade do avanço no período. Como o recorte temporal é diferente, os dois números não devem ser comparados sem considerar a data de atualização.

O Ibama informou que havia extinguido 303 incêndios no Amazonas desde o início da temporada, segundo balanço divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima. Para apoiar as operações, foram disponibilizadas 11 aeronaves, incluindo aviões de combate direto ao fogo, helicópteros para transporte de brigadistas e equipamentos e uma aeronave para apoio logístico. O envio de equipes e recursos demonstra a mobilização federal, mas não significa que todos os focos do estado estejam sob controle.

É importante diferenciar focos de calor de incêndios efetivamente combatidos. Os primeiros são detecções por satélite que podem indicar uma queimada, mas não correspondem necessariamente a um incêndio individual confirmado. Já o número de ocorrências extintas se refere ao balanço das equipes que atuam no combate ao fogo. Os dois indicadores ajudam a dimensionar a crise, mas medem fenômenos diferentes.

O Ministério da Saúde informou que uma equipe da Força Nacional do SUS atua em conjunto com autoridades estaduais e municipais para avaliar as necessidades da rede de atendimento. O trabalho inclui o monitoramento de insumos para assistência respiratória e a preparação dos serviços diante do possível agravamento de doenças relacionadas à exposição à fumaça. A informação oficial confirma o apoio técnico, mas não sustenta a afirmação de que a equipe já tenha chegado a exatamente 12 municípios.

Também não foi possível confirmar, em fonte primária consultada, a alegação de que o Amazonas teria registrado a menor taxa de desmatamento em 41 anos. Esse dado não deve ser incorporado à reportagem sem acesso à série histórica e à metodologia do levantamento citado.

Com escolas fechadas e poluição elevada, a crise afeta a rotina de famílias, estudantes e trabalhadores. A evolução dependerá do combate aos incêndios, das condições meteorológicas e da redução de novas queimadas. Enquanto os índices permanecerem elevados, acompanhar os boletins locais e seguir as orientações das autoridades de saúde é especialmente importante para grupos vulneráveis.