Kristalina Georgieva
A diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, nas Reuniões Anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Grupo do Banco Mundial (GBM). Lillian SUWANRUMPHA / AFP via Getty Images

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu as suas projeções de crescimento para a economia brasileira nos próximos dois anos. A instituição passou a estimar uma expansão de 2,2% em 2026, ante os 2,4% previstos anteriormente, e de 1,9% em 2027, abaixo da estimativa anterior de 2,2%. A revisão indica uma perspetiva de crescimento mais moderado para o Brasil, num contexto internacional marcado por tensões geopolíticas e desafios económicos.

Segundo o relatório Perspetivas da Economia Mundial, divulgado pelo FMI em outubro de 2026, as condições financeiras, a evolução da política fiscal e as incertezas externas continuam a influenciar as perspetivas de crescimento dos países. No caso brasileiro, os juros elevados e a retirada gradual dos estímulos fiscais estão entre os fatores que condicionam o desempenho esperado da atividade económica.

Juros E Política Fiscal Condicionam A Economia

A manutenção de taxas de juro elevadas pode limitar o ritmo da atividade económica, ao encarecer o crédito e dificultar o financiamento do consumo e dos investimentos. Ao mesmo tempo, a redução gradual dos estímulos fiscais tende a diminuir o impulso proporcionado pelas despesas públicas à procura interna.

Esses fatores ocorrem num cenário em que a economia mundial enfrenta os efeitos da guerra no Médio Oriente e das tensões comerciais. De acordo com o FMI, a atividade global resistiu melhor do que o esperado durante o primeiro semestre de 2026, apoiada, entre outros fatores, pelo investimento em inteligência artificial. Contudo, os efeitos positivos dessa expansão tecnológica estão distribuídos de forma desigual entre os países.

A instituição também destaca que as economias mais expostas ao aumento dos custos de importação de energia e com menor participação nas cadeias tecnológicas enfrentam condições mais difíceis. A evolução dos preços da energia, a confiança dos investidores e as condições de financiamento permanecem entre os elementos que podem afetar o crescimento mundial.

Economia Global Mantém Ritmo Desigual

Apesar da revisão das projeções brasileiras, o FMI manteve em 3,1% a previsão de crescimento global para 2026 e elevou moderadamente a estimativa para 2027, para 3,4%. A instituição prevê ainda que a inflação global aumente para 4,7% em 2026, antes de recuar para 4,1% no ano seguinte, impulsionada sobretudo pela alta temporária dos preços da energia e dos alimentos.

O organismo internacional alerta que os riscos para a economia mundial continuam inclinados para um cenário desfavorável. Uma intensificação do conflito no Médio Oriente, novas perturbações no abastecimento energético ou o agravamento das tensões comerciais podem pressionar os preços e enfraquecer a atividade económica.

Neste contexto, o FMI defende políticas económicas adaptadas às condições de cada país, com atenção à sustentabilidade das contas públicas e à estabilidade dos preços. Para o Brasil, as projeções revistas apontam para uma expansão mais contida em 2026 e 2027, embora a evolução efetiva da economia dependa das condições internas e dos acontecimentos internacionais.