Covid
Tomaz Silva/Agência Brasil

Apenas 5% das crianças pequenas no Brasil receberam as três doses da vacina contra a covid-19, situação que preocupa autoridades sanitárias diante da continuidade das hospitalizações e mortes provocadas pela doença. Em 2026, o coronavírus causou mais de mil internações e 25 mortes entre crianças e adolescentes no país, das quais 15 ocorreram em menores de 2 anos.

Os dados foram divulgados em 23 de outubro pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Segundo o diretor do programa, Eder Gatti, a baixa cobertura não está relacionada à falta de vacinas, mas principalmente à hesitação de parte da população, influenciada pela circulação de informações falsas sobre a segurança e a eficácia dos imunizantes.

Desde 2024, a vacina contra a covid-19 integra o calendário básico de vacinação infantil, com doses recomendadas aos 6, 7 e 9 meses de idade. A imunização também pode ser realizada posteriormente, até os 5 anos, conforme as orientações do programa. Apesar da disponibilidade dos imunizantes no Sistema Único de Saúde (SUS), a adesão permanece muito abaixo do necessário para ampliar a proteção das crianças.

O cenário preocupa especialmente porque bebês e crianças pequenas podem desenvolver complicações respiratórias graves após a infecção pelo coronavírus. Neste ano, mais de 1,1 mil crianças menores de 14 anos precisaram ser hospitalizadas com quadros respiratórios graves associados à doença.

A desinformação sobre vacinas ganhou força durante a pandemia, quando declarações de autoridades públicas e conteúdos disseminados nas redes sociais colocaram em dúvida a necessidade da imunização. Segundo o PNI, esse ambiente contribuiu para enfraquecer a confiança nos imunizantes e ainda influencia as decisões de muitas famílias.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2023, identificou que 15% das crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos não haviam recebido a vacina contra a covid-19. Entre os responsáveis que não vacinaram os filhos, quase 40% citaram medo de reações adversas ou de injeções, enquanto 22% consideravam a imunização desnecessária e 18% afirmaram não confiar na vacina.

As autoridades sanitárias destacam que os imunizantes passaram por testes clínicos antes da autorização e continuam sendo monitorados após sua incorporação ao calendário vacinal. Durante a pandemia, mais de 6 milhões de doses foram aplicadas em crianças no Brasil. Segundo os dados apresentados pelo PNI, não houve registro de mortes associadas à vacinação nesse grupo, e 92% das reações notificadas foram leves, como febre e dor no local da aplicação.

Além de reduzir o risco de complicações, a vacinação pode diminuir a pressão sobre os serviços de saúde, especialmente durante períodos de maior circulação de vírus respiratórios. A covid-19 também pode provocar a síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica, uma complicação rara, mas potencialmente grave, que afeta diferentes órgãos.

O governo afirma manter contratos e estoques para garantir o abastecimento dos imunizantes. Entretanto, existe um desafio operacional: depois de descongelados, os frascos utilizados na vacinação infantil têm prazo de validade de dez semanas, e as doses não utilizadas precisam ser descartadas.

Para ampliar a cobertura, o Ministério da Saúde pretende reforçar as estratégias de vacinação e a comunicação com as famílias. A orientação é que pais e responsáveis consultem os profissionais de saúde e verifiquem a situação vacinal das crianças nas unidades básicas de saúde, evitando tomar decisões com base em conteúdos sem comprovação científica.