Senado prevê votar em primeiro turno a PEC
Senado prevê votar em primeiro turno a PEC que acaba com a escala 6x1 IBTimes Brasil

Proposta em debate busca reduzir a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e ampliar o descanso; aprovação exige pelo menos 49 votos em cada turno.

O Senado brasileiro tem previsão de votar, na quarta-feira, 14 de outubro, em primeiro turno, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que busca acabar com a escala de trabalho 6x1. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou um calendário de discussão e votação que inclui as sessões necessárias antes que o texto possa ser submetido à votação dos senadores.

A escala 6x1 é um regime em que o trabalhador atua durante seis dias e descansa um. A proposta em discussão prevê reduzir a jornada semanal máxima de 44 para 40 horas e garantir dois dias de descanso, sem redução salarial. O alcance exato das mudanças dependerá da versão aprovada ao final do processo legislativo. Por isso, é importante não apresentar todas as regras de aplicação como se já estivessem em vigor.

Uma eventual redução da jornada poderá afetar a organização de setores que funcionam durante toda a semana, como comércio, alimentação, transporte, serviços e atendimento ao público. As empresas terão de avaliar a distribuição dos turnos, o número de trabalhadores necessário para cobrir os horários e os custos operacionais. Para os trabalhadores, a mudança poderá representar mais tempo de descanso e alterações na conciliação entre trabalho, vida familiar e atividades pessoais.

O calendário anunciado por Alcolumbre estabelece que a PEC deverá cumprir o procedimento previsto para as emendas constitucionais. No Senado, uma proposta desse tipo exige cinco sessões de discussão antes da primeira votação e outras três antes da segunda. Para ser aprovada, precisa do apoio de três quintos dos senadores, o equivalente a pelo menos 49 votos, em cada turno. Portanto, uma votação favorável em primeiro turno não é suficiente para transformar a proposta em uma emenda constitucional.

O debate também tem uma dimensão eleitoral. A campanha de Lula divulgou anúncios afirmando que Flávio Bolsonaro é contrário ao fim da escala 6x1, mas o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu novas contratações de anúncios pagos com essa mensagem. Flávio, por sua vez, declarou defender uma alternativa baseada em acordos entre trabalhadores e empregadores. A decisão judicial sobre a propaganda não resolve o debate legislativo nem determina o conteúdo final da PEC.

Para compreender o possível impacto da proposta, é importante distinguir três etapas: a discussão parlamentar, a aprovação constitucional e a aplicação prática. Até que o processo seja concluído, a jornada de trabalho vigente não muda automaticamente. Também não é possível antecipar o resultado da votação com base apenas nos anúncios dos líderes políticos.

Se a proposta for aprovada nos dois turnos, a redação final e as regras de transição serão fundamentais para definir como a redução da jornada será organizada, quais setores poderão precisar de ajustes específicos e quando as novas condições entrarão em vigor.