Amazonas registra 236 incêndios extintos, mas 22 focos continuam ativos
Amazonas registra 236 incêndios extintos, mas 22 focos continuam ativos IBTimes Brasil

Governo federal reforça operações com aeronaves e brigadistas em meio à persistência do fogo e à fumaça que afeta Manaus. Dados oficiais mostram avanço no combate, mas não indicam que a crise ambiental esteja controlada.

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) havia extinguido 236 incêndios florestais no Amazonas desde o início da atual temporada crítica até 11 de outubro, mas continuava combatendo outros 22 focos ativos. O balanço, divulgado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), foi acompanhado do anúncio de reforço das operações federais com aeronaves e equipes especializadas. A permanência de focos em atividade e a fumaça que atingiu a capital amazonense mostram que o avanço das equipes não significa o fim da emergência.

Os números representam uma atualização em relação ao balanço publicado pela Agência Brasil em 10 de outubro. Naquele dia, o governo informava que 229 incêndios haviam sido extintos e que outros 20 permaneciam ativos. Um dia depois, o total de ocorrências extintas havia aumentado em sete, enquanto o número de focos ativos também subiu. A variação deve ser interpretada com cautela: os registros refletem a situação operacional informada em cada data e não permitem, isoladamente, concluir se a intensidade geral dos incêndios está aumentando ou diminuindo.

Reforço das operações federais

Em 11 de outubro, os ministros do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, e da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, sobrevoaram áreas atingidas e acompanharam as operações no Centro Integrado de Comando e Controle, em Manaus. A agenda incluiu reuniões com representantes estaduais e federais para coordenar a resposta aos incêndios.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, seis das onze aeronaves mobilizadas pelo governo federal já haviam chegado ao Amazonas e começado a participar das operações. O balanço divulgado no domingo também registrava 250 brigadistas em campo e outros 40 profissionais em deslocamento para reforçar as equipes. A mobilização reúne órgãos federais, estaduais e municipais, com atuação em combate direto ao fogo, monitoramento e prevenção de novos focos.

O uso de aeronaves pode ajudar no lançamento de água e no deslocamento de equipes, sobretudo em áreas de difícil acesso. Ainda assim, a eficácia das operações depende das condições meteorológicas, da localização dos incêndios e da possibilidade de manter o trabalho em segurança. Em regiões extensas e com acesso limitado por estradas, a logística é um dos principais desafios para conter o avanço das chamas.

Disputa sobre o apoio e a resposta emergencial

O reforço federal também ocorre após divergências públicas sobre a mobilização de recursos em setembro. Em nota publicada em 9 de outubro, o Ministério do Meio Ambiente informou que o governo do Amazonas havia solicitado apoio federal em 23 de setembro, mas comunicou, no dia 30, que a ajuda não seria mais necessária depois de chuvas contribuírem para reduzir os focos. Segundo a versão do ministério, a equipe federal foi dispensada antes de se deslocar para o campo.

Reportagens publicadas em seguida registraram uma versão diferente apresentada por integrantes do governo estadual, segundo a qual a falta de aeronaves solicitadas teria prejudicado a resposta local. A divergência deve ser tratada como uma disputa entre versões institucionais, e não como uma conclusão independente sobre responsabilidades. O que está confirmado é que o governo federal ampliou a mobilização de recursos em outubro e que as operações seguem em andamento.

O MMA também informou que orientou o estado a solicitar recursos pelo Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (SINPDEC), mas afirmou que o pedido formal ainda não havia sido apresentado no momento da nota. Paralelamente, o governo federal citou o projeto ProAmazon, apoiado pelo Fundo Amazônia com R$ 45 milhões para fortalecer a estrutura do Corpo de Bombeiros do Amazonas e as ações de prevenção e combate a incêndios.

Fumaça e impactos sobre a população

A emergência não se limita às áreas diretamente atingidas pelas chamas. A fumaça proveniente das queimadas comprometeu a qualidade do ar em Manaus, segundo reportagens e monitoramentos ambientais divulgados na semana. A presença de partículas finas na atmosfera pode agravar problemas respiratórios e afetar especialmente crianças, idosos e pessoas com doenças preexistentes. O impacto varia conforme a concentração de poluentes, o tempo de exposição e as condições individuais de saúde.

Os incêndios também podem degradar habitats, ameaçar animais silvestres, prejudicar atividades de comunidades rurais e afetar a vegetação que ajuda a manter o equilíbrio ecológico. A extensão dos danos depende de cada ocorrência, da área queimada e da intensidade do fogo. Por isso, o número de incêndios extintos, embora importante para acompanhar a resposta oficial, não substitui dados sobre a área atingida e os efeitos ambientais.

O acompanhamento dos próximos balanços será essencial para saber se os focos ativos diminuem e se as condições de qualidade do ar melhoram. Até que isso ocorra, a presença de equipes e aeronaves deve ser entendida como parte de uma operação em curso, e não como confirmação de que a situação está resolvida.