Inflação
Adriana Toffetti/A7 Press/Folhapress

A inflação oficial do Brasil registrou alta de 0,82% em setembro de 2026, após a queda de 0,32% observada em agosto. O resultado foi divulgado nesta sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e representa a maior variação para o mês de setembro desde 2021, quando o índice alcançou 1,16%. O principal fator de pressão foi o aumento das tarifas de energia elétrica residencial, associado ao fim dos descontos concedidos pelo Bônus de Itaipu.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador utilizado para medir a inflação oficial do país, acelerou acima das expectativas do mercado financeiro. A variação mensal também superou os 0,48% registrados em setembro de 2025, indicando uma retomada da pressão sobre os preços após o alívio observado no mês anterior.

Energia elétrica lidera a alta

O principal impacto sobre o índice veio do grupo Habitação, especialmente das contas de luz. A energia elétrica residencial subiu 7,98% em setembro, refletindo o encerramento do desconto extraordinário aplicado às faturas emitidas em agosto.

Naquele mês, o Bônus de Itaipu permitiu a distribuição de aproximadamente R$ 872,1 milhões em créditos, beneficiando cerca de 83,8 milhões de consumidores. Com o fim desse benefício, as contas voltaram a refletir os valores sem o abatimento, produzindo uma elevação significativa na comparação mensal.

Outro elemento que contribuiu para o encarecimento da eletricidade foi a manutenção da bandeira tarifária amarela. O sistema acrescentou R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, em razão das condições de geração de energia e da necessidade de acionamento de usinas termelétricas, que apresentam custos superiores aos das hidrelétricas.

O resultado evidencia como mudanças temporárias nos descontos e nas tarifas de serviços essenciais podem influenciar o indicador geral de inflação, mesmo quando não representam aumentos permanentes em todos os preços da economia.

Alimentos e combustíveis também pressionam

Além da energia, outros componentes contribuíram para a alta do custo de vida. O grupo Alimentação e bebidas registrou avanço de 0,83%, com destaque para produtos como tomate e batata-inglesa, cujos preços aumentaram 37,76% e 24,07%, respectivamente.

No grupo Transportes, os combustíveis ficaram 1,41% mais caros, ampliando a pressão sobre o orçamento dos consumidores. A combinação de despesas maiores com eletricidade, alimentação e deslocamento pode reduzir a renda disponível das famílias, sobretudo daquelas que destinam uma parcela elevada de seus ganhos às necessidades básicas.

Inflação acumulada supera o limite da meta

Com o resultado de setembro, o IPCA acumulado em 12 meses chegou a 4,58%, ultrapassando o teto de tolerância de 4,5% estabelecido para a meta de inflação, cujo centro é de 3%.

A alta representa um desafio para a política monetária, pois a persistência de pressões inflacionárias pode dificultar a redução dos juros. O Banco Central acompanha a evolução dos preços para avaliar a necessidade de medidas destinadas a preservar o poder de compra da moeda.

Embora o encerramento do Bônus de Itaipu explique parte importante da aceleração mensal, a evolução dos demais preços será determinante para avaliar se a inflação continuará pressionada nos próximos meses.

Os dados reforçam a importância de distinguir efeitos pontuais, como o fim de um desconto na conta de luz, de tendências mais persistentes no custo de vida. Para os consumidores, entretanto, o impacto imediato é concreto: as despesas essenciais voltam a pesar mais no orçamento doméstico.