Mudanças nos padrões de precipitação podem comprometer o desenvolvimento das lavouras
Mudanças nos padrões de precipitação podem comprometer o desenvolvimento das lavouras Genilson Frazao

O preço internacional do açúcar fechou em forte alta nesta segunda-feira (12), impulsionado pelas preocupações com os efeitos do fenômeno climático El Niño sobre a produção mundial. O contrato futuro com vencimento em março avançou 2,96% na Bolsa de Nova York, encerrando o pregão cotado a 20,85 centavos de dólar por libra-peso.

A valorização reflete a crescente preocupação dos operadores com as condições climáticas nas principais regiões produtoras, especialmente no Brasil, maior produtor e exportador mundial da commodity. As previsões de chuvas mais intensas no Centro-Sul brasileiro aumentaram as incertezas sobre o andamento da colheita da cana-de-açúcar e o volume que poderá ser processado pelas usinas nas próximas semanas.

O excesso de precipitação pode dificultar a entrada de máquinas nas lavouras, atrasar a retirada da cana e comprometer o transporte até as unidades industriais. Quando as chuvas persistem durante períodos importantes da safra, as usinas podem enfrentar dificuldades para manter o ritmo de moagem, reduzindo a quantidade de matéria-prima disponível para a fabricação de açúcar.

Além dos efeitos imediatos sobre a colheita, a umidade elevada pode influenciar a concentração de sacarose na cana e alterar as decisões das empresas sobre a destinação da matéria-prima entre a produção de açúcar e etanol. Essa escolha é relevante para o mercado internacional, pois determina quanto açúcar brasileiro estará disponível para exportação.

El Niño amplia incertezas sobre a oferta global

As preocupações também se estendem a outros grandes produtores, como Índia e Tailândia. O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, capaz de modificar os padrões de precipitação e temperatura em diferentes regiões do planeta.

No caso da produção de açúcar, seus efeitos variam conforme a localização e a intensidade do fenômeno. Em determinadas áreas, o aumento das chuvas pode prejudicar a colheita; em outras, a redução da precipitação pode comprometer o desenvolvimento das lavouras e diminuir a produtividade.

A Agência Meteorológica do Japão informou que as temperaturas da superfície do Pacífico tropical ficaram aproximadamente 4 °C acima da média em setembro, o maior desvio registrado pela instituição desde 1949. A entidade também indicou uma probabilidade de 100% de continuidade do fenômeno durante o inverno do Hemisfério Norte, com possibilidade de persistência até o primeiro trimestre de 2027.

A perspectiva de condições climáticas adversas reforça o receio de que a oferta mundial fique abaixo das expectativas iniciais. Na Índia, por exemplo, as projeções de produção foram revistas para baixo diante dos efeitos do El Niño sobre as chuvas e as temperaturas, aumentando a atenção dos participantes do mercado para a disponibilidade futura da commodity.

Mercado acompanha produção brasileira

Apesar da alta recente, a evolução dos preços dependerá da confirmação dos impactos climáticos sobre a produção e os estoques. Uma redução efetiva da oferta tende a sustentar as cotações, enquanto uma recuperação das condições de colheita ou uma disponibilidade maior do que a esperada pode limitar novos avanços.

Para o Brasil, o cenário representa um desafio para o planejamento das usinas e para o cumprimento dos compromissos de exportação. Como o país exerce influência significativa sobre o abastecimento mundial, mudanças no ritmo de produção podem repercutir nos preços internacionais e nos custos de compradores de diferentes regiões.

Nas próximas semanas, os investidores deverão acompanhar as previsões meteorológicas, os dados de moagem e as estimativas de produção dos principais países produtores. A combinação desses fatores será decisiva para determinar se a valorização observada em Nova York terá continuidade.