CineBH encerra sua 20ª edição neste domingo Desistfilm

Duas décadas de encontros com o audiovisual

A 20ª Mostra Internacional de Cinema de Belo Horizonte, o CineBH, encerra neste domingo (27) sua programação de 2026. Criado em 2007 no bairro de Santa Tereza, o festival se consolidou como um dos principais encontros do cinema brasileiro e latino-americano, reunindo ao longo de duas décadas produções, realizadores e público em cinemas, teatros, praças e espaços culturais de Belo Horizonte, segundo o site oficial do evento. Esta edição tem como tema "Cine latinoamericano: ¿qué será?", proposta que convida a refletir sobre os caminhos e desafios do audiovisual produzido na região.

Conceição Evaristo estreia como atriz

Uma das figuras centrais da edição de 2026 foi a escritora Conceição Evaristo, que, aos 79 anos, viveu sua primeira experiência como atriz. Ela protagoniza o longa Se Eu Fosse Vivo... Vivia, do diretor André Novais Oliveira, filme que abriu a mostra e que também venceu o Troféu Candango de melhor longa-metragem na 59ª edição do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, segundo reportagem da Agência Brasil. No filme, Evaristo interpreta Jacira, uma mulher aposentada que compartilha com o marido a rotina doméstica ao longo de cinco décadas, até que a vida do casal muda quando ela adoece.

Em depoimento à Agência Brasil, a escritora relacionou o convite para atuar aos desafios que já havia enfrentado ao longo da vida, como deixar sua cidade natal rumo ao Rio de Janeiro e recomeçar do zero. Segundo ela, aceitar o papel também foi uma forma de reafirmar a própria coragem nesta fase da vida.

Um Troféu Horizonte para marcar a trajetória

Além de estrelar o filme de abertura, Conceição Evaristo recebeu o Troféu Horizonte, uma das homenagens da mostra. A coordenadora-geral do CineBH, Raquel Hallak, explicou à Agência Brasil que reconhecer a escritora busca destacar sua trajetória na literatura e sua chegada ao cinema, evidenciando a transversalidade do audiovisual e suas conexões com outras linguagens artísticas. A mostra também homenageou a cineasta paraguaia Paz Encina, que desde os anos 1990 produz filmes marcados pela história de seu país, apesar de décadas de produção descontínua e períodos autoritários no Paraguai.

Coprodução e mercado internacional

Paralelamente à mostra de filmes, o festival sediou a 17ª edição do Brasil CineMundi, encontro internacional de coprodução que neste ano reuniu 37 projetos de longas-metragens em diferentes estágios de desenvolvimento, segundo o site do CineBH. O encontro promove rodas de negócios e conexões entre profissionais brasileiros e internacionais, contribuindo historicamente para ampliar a circulação do cinema nacional e abrir caminhos de financiamento e coprodução.

Um fechamento que aponta para o futuro

Ao reunir uma escritora estreando nas telas, uma cineasta latino-americana consagrada e dezenas de projetos em busca de parceiros internacionais, o CineBH encerra sua 20ª edição reafirmando o compromisso declarado por sua organização: seguir sendo espaço de criação, diálogo e transformação para o cinema brasileiro e latino-americano.