Granja de frangos no Paraná
Granja de frangos no Paraná REUTERS/Rodolfo Buhrer

O crescimento da produção de carne de frango na China está alterando o cenário do comércio internacional de proteínas e pode intensificar a concorrência com o Brasil nos próximos anos. Embora o país asiático continue comprando grandes volumes de carne brasileira, o aumento de sua produção nacional lhe permite dispor de excedentes para ampliar suas exportações.

No primeiro semestre de 2026, a produção chinesa de carne de frango cresceu mais de 9% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Essa expansão reflete o fortalecimento da indústria avícola do país, que busca atender à demanda interna e aproveitar novas oportunidades comerciais no exterior.

O aumento da produção favoreceu uma mudança significativa na posição da China no mercado internacional. Em 2025, o país tornou-se exportador líquido de carne de frango; ou seja, passou a vender para o exterior um volume maior do que aquele que compra. Essa mudança pode aumentar a concorrência com os principais fornecedores mundiais, entre eles o Brasil.

A expansão chinesa traz novos desafios para a indústria brasileira, que mantém uma posição de destaque no comércio mundial dessa proteína. Em 2025, o Brasil exportou aproximadamente 5,3 milhões de toneladas de carne de frango, consolidando-se como um dos principais atores do setor. A China, por sua vez, registrou exportações superiores a um milhão de toneladas, embora ainda muito inferiores às brasileiras.

A diferença de escala não elimina o potencial competitivo do país asiático. À medida que sua capacidade produtiva aumentar, a China poderá ampliar sua presença em mercados da Ásia, da África e do Oriente Médio, regiões onde os produtores brasileiros mantêm importantes relações comerciais.

Um dos fatores que favorecem essa expansão é a composição da demanda interna chinesa. Os consumidores do país asiático demonstram preferências específicas por determinados cortes, como pés e asas, enquanto outros produtos, incluindo o peito, apresentam demanda relativamente menor. O excedente desses cortes pode ser destinado à exportação, gerando novas oportunidades para as empresas chinesas.

No entanto, essa dinâmica também explica por que a China continua importando carne brasileira. As diferenças entre os hábitos de consumo nacionais e a disponibilidade de produtos permitem que o país asiático compre determinados cortes no exterior enquanto vende outros para mercados internacionais.

A relação comercial entre ambos os países, portanto, não depende exclusivamente da quantidade total de carne produzida, mas também do tipo de produto demandado por cada mercado. Essa complementaridade permite manter as trocas comerciais mesmo quando a produção nacional chinesa aumenta.

As condições sanitárias representam outro elemento determinante para o desenvolvimento das exportações. As exigências dos países compradores e as restrições relacionadas à gripe aviária podem limitar o acesso dos produtores chineses a determinados destinos internacionais.

Para o Brasil, a evolução da indústria avícola chinesa exige atenção às mudanças na oferta mundial, nos preços e na concorrência pelos mercados. Embora a expansão asiática não implique uma substituição imediata dos fornecedores brasileiros, ela introduz um novo elemento na dinâmica comercial do setor.

Nos próximos anos, a capacidade de adaptação, o cumprimento dos requisitos sanitários e a diversificação dos destinos serão fatores importantes para manter a competitividade de ambos os países no mercado mundial de carne de frango.