Lula abre debate da ONU com críticas ao Conselho de Segurança e recado indireto aos EUA
Presidente afirma que a organização vive seu pior momento desde 2003 e faz crítica indireta ao governo dos Estados Unidos sem citar Donald Trump.

Na abertura do debate geral da 81ª Assembleia Geral da ONU, o presidente brasileiro classificou o momento da organização como o mais crítico desde 2003 e voltou a defender mudanças no Conselho de Segurança. Sem citar Donald Trump pelo nome, afirmou que o Brasil "não cabe no quintal de ninguém".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu nesta terça-feira (22), em Nova York, o debate geral da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas com um discurso de mais de 20 minutos no qual descreveu a atual conjuntura da ONU como a mais crítica desde 2003 e cobrou mudanças na estrutura do Conselho de Segurança. Lula também fez o que analistas leram como um recado indireto ao governo dos Estados Unidos, ao dizer que o Brasil não se submete à tutela de nenhuma outra nação, embora não tenha mencionado o presidente Donald Trump nominalmente.
Segundo a Agência Brasil, o presidente afirmou que a organização está falhando em sua missão de evitar guerras e que sua credibilidade atravessa o pior momento em mais de duas décadas. Ele disse que o sentimento que o motivava naquele momento era de indignação diante da incapacidade da ONU de proteger populações vulneráveis.
Essa foi a décima vez que Lula abre o debate geral da Assembleia, uma tradição que cabe ao Brasil desde 1955, sempre seguido pelo discurso do país anfitrião, os Estados Unidos. Antes de subir à tribuna, ele se reuniu com o secretário-geral António Guterres, que também discursou na sessão de abertura defendendo que a paz internacional depende da contenção do poder pela lei, e não apenas da ausência de conflitos armados.
Na fala, Lula reiterou uma crítica recorrente de seus discursos anteriores na ONU: o poder de veto dos membros permanentes do Conselho de Segurança. De acordo com a Agência Brasil, ele lembrou que, já na primeira sessão da Assembleia, em 1946, o Brasil alertava para os custos desse mecanismo, e afirmou que os países ficam reféns do imobilismo do órgão.
Conforme reportagem do UOL, o presidente também exaltou valores democráticos e mencionou o fim da escala de trabalho 6x1 no Brasil como parte de sua agenda de governo, dentro de um discurso que buscou reforçar a soberania nacional sem nomear diretamente o líder americano.
O tema oficial do debate geral deste ano é "Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas". As sessões seguem até 28 de setembro, reunindo chefes de Estado e de governo dos 193 Estados-membros, com discursos de até 15 minutos, limite frequentemente ultrapassado, e tradução simultânea nos seis idiomas oficiais da ONU.
Na véspera do discurso, Lula já havia se reunido em Nova York com o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, o prefeito da cidade, Zohran Mamdani, e o senador norte-americano Bernie Sanders. Após sua fala na Assembleia, o presidente brasileiro deixou Nova York na própria terça-feira, com desembarque previsto em Brasília ainda durante a noite.





















