América do Sul busca unidade para ajudar Haiti
Os líderes sul-americanos devem deixar de lado na terça-feira suas habituais recriminações mútuas para tentarem discutir uma posição unificada diante da crise no Haiti, durante a cúpula da Unasul em Quito, no Equador.
Encontros anteriores da União de Nações Sul-Americanas foram marcados por insultos entre governantes de esquerda e de direita.
Desta vez, investidores estarão atentos para verem se os presidentes da região conseguem se unir pela causa haitiana, atenuar sua retórica política e criar condições para um melhor comércio entre países que, em diversos graus, ainda tentam deixar para trás a estagnação econômica de 2009.
O presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, fará sua primeira visita ao Equador desde o rompimento bilateral das relações em 2008 por causa de um bombardeio colombiano contra um acampamento de guerrilheiros na selva equatoriana.
Uribe deve dividir os holofotes com outro desafeto, o venezuelano Hugo Chávez, que nos últimos meses restringiu o bilionário comércio entre Venezuela e Colômbia em protesto contra a ampliação da presença militar norte-americana no país vizinho.
O presidente haitiano, René Préval, deve comparecer como convidado para fazer um apelo pela reconstrução do seu empobrecido país, depois do terremoto que matou mais de 200 mil pessoas em janeiro.
A crise é tão grande que pode ajudar a abrandar as diferenças entre os países da Unasul, segundo Michael Shifter, da entidade Diálogo Interamericano.
"O Haiti poderia ser uma questão unificadora para o continente", disse ele. "A desconfiança não irá desaparecer, mas esta reunião poderia ser um respiro bem-vindo."
Chávez não deve parar de se queixar do acordo militar de outubro pelo qual Bogotá franqueia mais bases militares suas aos Estados Unidos. Já entre Colômbia e Equador as relações têm voltado a melhorar nos últimos meses, mas ainda há grandes diferenças políticas entre os dois governos.
"A viagem de Uribe a Quito ratifica que a cooperação está melhorando entre Colômbia e Equador -- resta ver quanto", disse Mauricio Romero, analista político da Universidade Javeriana, de Bogotá.
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