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Brasil | 13 de Março, 2010
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ENTREVISTA-G20 vai discutir reservas cambiais, afirma Mantega

Por Sebastian Tong
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5 de Novembro, 2009 @ 5:03 PM BRT

 A reunião dos ministros de Finanças do G20 neste fim de semana vai discutir como lidar com o excesso global de reservas cambiais, e o debate deve incluir a disparidade entre moedas controladas e flutuantes, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega.

Guido Mantega
Foto de arquivo do ministro da Fazenda, Guido Mantega, durante coletiva em Brasília, junho de 2009. G20 vai discutir reservas cambiais, afirma Mantega. REUTERS/Jamil Bittar
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Segundo ele, os ministros do G20 também devem decidir se os países deveriam seguir o exemplo brasileiro de impor uma taxação sobre o capital estrangeiro para brecar a especulação.

"Temos o perigo dos desequilíbrios, muito capital para países produtores de commodities como Brasil, Austrália e África do Sul", disse em entrevista à Reuters nesta quinta-feira.

"Precisamos decidir o que podemos fazer sobre isso porque temos países com moedas atreladas (a outras) e moedas flutuantes como a do Brasil."

O encontro dos ministros de Finanças do G20 ocorre na Escócia na sexta-feira e no sábado.

No mês passado, o Brasil resolveu adotar uma alíquota de 2 por cento de IOF sobre investimentos estrangeiros para ações e renda fixa.

"Nós precisamos decidir se todos (adotam uma taxação sobre o fluxo de capital) ou deixam o câmbio flutuar livremente."

Para Mantega, o Fundo Monetário Internacional (FMI) tem um papel a desempenhar para ajudar os países a reduzir suas reservas cambiais, como parte de um reequilíbrio global que precisa ocorrer entre os Estados Unidos e os países asiáticos com superávit em conta corrente.

"Nós concordamos com a tese de que nós podemos operar com menos reservas. Isso siginifica que o FMI deve garantir a sustentabilidade financeira dos países. Eu posso ter menos reservas se o FMI me der um swap, então eu terei a possibilidade de ter dinheiro quando eu precisar", argumentou.

MUITA LIQUIDEZ

Mantega disse também que há uma ampla concordância entre os países do G20 sobre a necessidade de reduzir o superávit em conta corrente de economias de rápido crescimento.

O ministro acrescentou, no entanto, que boa parte do ingresso recente de capital é resultado das medidas anticíclicas adotadas por EUA e outros países para impulsionar a demanda.

"Há muito carry trade porque o dólar está muito barato e as taxas de juros são muito baixas nos EUA", disse.

Mais cedo, Mantega disse a uma plateia de investidores que o IOF era uma medida única para reduzir o fortalecimento "exagerado" do real que prejudica os exportadores brasileiros.

Ele disse à Reuters que o Brasil não tem outros planos para limitar os ingressos especulativos porque o fluxo global de capitais deve voltar ao equilíbrio assim que os EUA aumentarem o juro e os países reduzirem o excesso de liquidez.

"É claro que, se você restabelecer o equilíbrio, nós podemos remover a taxação", disse Mantega.

O Brasil planeja vender bônus denominados em reais no mercado internacional para fortalecer o papel do real como moeda internacional, acrescentou o ministro.

"Fizemos isso no passado e pretendemos fazer no futuro. É uma forma de estimular o real como moeda internacional. Ainda não decidimos quando vender nos mercados internacionais."

Mantega vai encontrar os ministros de Rússia, Índia e China na reunião do G20, mas disse que os quatro países que formam o Bric não vão se reunir separadamente ou emitir um comunicado.

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