Em dia ruim no exterior, dólar reage a IOF e sobe 2,1%
A taxação do capital estrangeiro, aliada a uma sessão negativa nos principais mercados internacionais, devolveu o dólar a quase 1,75 real, após uma terça-feira de forte alta.
A moeda norte-americana fechou com valorização de 2,10 por cento, a 1,748 real. Foi a valorização mais intensa do dólar em apenas um dia desde 22 de junho. O índice Ibovespa, às 16h33, despencava 3,14 por cento.
No exterior, as principais bolsas de valores também caíam, influenciadas por números piores do que o esperado no setor imobiliário dos Estados Unidos. O dólar se valorizava ante uma cesta com as principais moedas, e o índice Reuters-Jefferies tinha queda de 0,67 por cento.
"Como lá fora está negativo, ajuda a maximizar essa variação", disse Mario Battistel, gerente de câmbio da Fair Corretora. Na véspera, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou a taxação do capital estrangeiro em ações e renda fixa por meio de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), com alíquota de 2 por cento.
A intenção do governo já era noticiada desde o final da semana passada, e por isso não surpreendeu o mercado. Nos mercados de dólar futuro e cupom cambial, os investidores estrangeiros já começavam a se proteger de uma eventual alta do dólar, com 3,63 bilhões de dólares em posições compradas no fechamento de segunda-feira.
O mercado, porém, questiona se a alta desta terça-feira será duradoura. "Mesmo com esse tributo, vai continuar sendo vantagem" investir no Brasil, avalia Battistel. Para analistas de bancos e consultorias, a principal novidade é a inclusão das aplicações na bolsa entre os alvos da tributação. Eles alertam, porém, que os principais fatores externos que contribuem para a baixa do dólar continuarão em vigor.
Apesar da alta desta sessão, o Banco Central manteve a postura dos últimos meses e realizou o tradicional leilão de compra de dólares no mercado à vista. Em 16 de outubro, as reservas internacionais já superavam 232 bilhões de dólares.
O comportamento do mercado de câmbio influenciou outras moedas vizinhas. Na Colômbia, o peso local caía cerca de 3 por cento em relação ao dólar por especulações de que o governo adotará medidas tributárias semelhantes.
Já o peso chileno se valorizou 0,26 por cento em relação do dólar. Segundo operadores locais, isso ocorreu porque a demanda de dólares no país para operações de carry trade no Brasil tende a diminuir.
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