Bradesco vê aumento de calote e crédito fraco em 2009
Mesmo avaliando que o pior momento da crise global já ficou para trás, o Bradesco prevê que a maior parte dos seus efeitos ainda estão para ser colhidos nos próximos meses, na forma de desaceleração nas operações de crédito e no aumento da inadimplência.
"Já percebemos uma pequena elevação nos índices de inadimplência e tomamos a decisão de constituir provisões adicionais de 600 milhões de reais", disse Marcio Cypriano em teleconferência com jornalistas sobre os resultados do quarto trimestre.
A instituição, no entanto, evitou fazer projeções. No último quarto de 2008, o volume de empréstimos não pagos há mais de 90 dias atingiu 3,6 por cento, ante 3,5 por cento dos quatro trimestres anteriores.
"Deve haver crescimento (na inadimplência), por causa da queda dos níveis de emprego e da capacidade de geração de receita das empresas", afirmou o vice-presidente do Bradesco, Milton Vargas. "Mas a expectativa é de que se mantenha em níveis aceitáveis", disse.
O banco prevê que as operações de financiamento vão crescer de 13 a 17 por cento, bem menor do que os 33,4 por cento de expansão registrados em 2008, que levou a carteira total a 215,3 bilhões de reais.
A combinação de crescimento menor do crédito, forte queda no valor dos investimentos em renda variável, ganhos menores com seguros (devido ao aumento da sinistralidade por causa de perdas com as enchentes em Santa Catarina), já deteriorou o resultado do ano, com o lucro líquido de 7,62 bilhões de reais ficando 4,9 por cento abaixo do registrado em 2007.
Analistas desaprovaram os resultados do banco no período. "Pudemos observar redução do lucro líquido ajustado e deterioração do ROAE (indicador de rentabilidade nos bancos). A queda dessas duas contas já era aguardada, porém veio mais intensa do que se previa", avaliou a Ativa Corretora, em relatório, embora tenha mantido a recomendação de compra para os papéis.
Na Bovespa, a ação do Bradesco caía 1,73 por cento, a 20,44 reais, enquanto o Ibovespa recuava 0,5 por cento às 14h56.
PLANOS
No entanto, Cypriano considerou que o sistema bancário doméstico já está em fase de recuperação, com gradual redução nos custos de captação de recursos e renovação de mais de metade das linhas de crédito.
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