Inflação baixa e risco país ajudam gestão da dívida
O Tesouro Nacional acredita que o cenário econômico benigno, com dados de inflação favoráveis e queda do risco país, está compensando em parte o impacto da volatilidade internacional na dívida mobiliária federal, que encerrou o primeiro semestre em 1 trilhão de reais.
Dados divulgados nesta segunda-feira pelo Tesouro e pelo Banco Central mostraram que o endividamento em junho subiu 1,70 por cento na comparação com maio, quando o Tesouro cancelou leilões de venda de títulos públicos e fez operações de compra e venda de alguns papéis em meio às incertezas sobre a trajetória dos juros nos Estados Unidos.
As emissões líquidas do Tesouro --de 6,5 bilhões de reais-- e a apropriação de juros explicam o aumento da dívida no último mês.
Apesar da melhora do humor do mercado de maio para junho, o coordenador de operações de dívida pública, Manuel Augusto Silva, afirmou que o Tesouro continuará a ser cauteloso na oferta ao mercado de papéis como a NTN-B, corrigida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
O apetite do mercado por títulos prefixados ou corrigidos pela inflação tende a diminuir em momentos de maior volatilidade.
Dentro da estratégia de aumentar o percentual da dívida prefixada, o Tesouro ficou sem emitir títulos corrigidos pela Selic entre fevereiro e maio deste ano. No mês passado os leilões de LFT foram retomados. "Se a volatilidade permanecer alta, poderemos emitir mais LFT, de prazo mais longo", disse Augusto Silva.
Segundo ele, há vencimentos de cerca de 100 bilhões de reais em LFTs de agosto a dezembro, com forte concentração em novembro.
"Se emitirmos em torno de 86 bilhões de reais (em LFTs), ficaríamos próximos do limite inferior do Plano Anual de Financiamento (PAF)", calculou, referindo-se à faixa prevista no PAF para a parcela da dívida atrelada à taxa Selic no final de 2006, de 39 por cento a 48 por cento do total, sem considerar os contratos de swap.
Augusto Silva enfatizou que o Tesouro conseguiu avançar rapidamente no aumento da participação dos prefixados na dívida nos primeiros meses do ano, o que garante que as metas do PAF sejam atingidas mesmo que a volatilidade do mercado internacional prossiga.
PERFIL DA DÍVIDA
A parcela da dívida corrigida pela Selic, incluindo os contratos de swap, ficou em 46,25 por cento em junho, frente a 48,33 por cento em maio.
A fatia prefixada atingiu 31,45 por cento em junho, ante 29,55 por cento em maio. No final de 2005 ela representava 27,86 por cento do total.
A dívida atrelada ao câmbio persistiu negativa em junho, em 1,44 por cento, contra percentual negativo de 1,80 por cento no mês anterior.
"Junho foi um mês de bastante volatilidade, mas houve considerável melhora em relação a maio", resumiu o coordenador do Tesouro.
O estoque da dívida pública federal terminou junho com prazo médio de vencimento de 29,2 meses, estável em relação ao mês anterior. O intervalo definido pelo Plano Anual de Financiamento (PAF) deste ano é de prazo médio entre 30 meses e 35 meses.
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